
Enquanto
João Gilberto canta “A Felicidade”, de Tom e Vinícius, vou me
envolvendo e vibrando com cada nota. Tudo bonito, e no refrão eu me
junto a ele e canto, “Tristeza não tem fim, felicidade, sim”.
Tristeza não tem fim. Não tem mesmo? E a felicidade... a que mais quero, acaba?
Puxa!
Mas não foi assim que aprendi. O que me foi ensinado é que “ainda que a
figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da Oliveira
minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas
do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no
Senhor, exulto no Deus da minha salvação” (Hc 3: 17-18).
Essa
alegria (apesar da falência) vem da certeza de que Deus está acima do
caos, acima do problema (qualquer que seja ele), acima da tragédia não
anunciada. Deus reina apesar da ruína total, pois Ele mantém o controle
de tudo, por mais que tudo pareça sem governo. Sim, senhor; nada no
universo está solto, tudo está em suas mãos. Por isso, é possível ter
alegria no meio de uma grande crise.
É
interessante que mesmo quando Estevão está morrendo (o apedrejamento já é
uma realidade em sua vida), ainda assim ele olha para o céu e vê “a
glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita”. (Atos 7:55). O que
Estevão vê me ensina uma grande lição: Deus continua no governo de todas
as coisas, continua no seu trono, apesar do apedrejamento, apesar da
tragédia. Por isso, posso me alegrar ao saber que qualquer que seja a
tristeza em minha vida, ela será tratada por quem não deixa de reinar - e
mantém a sua glória.

Fique
certo de que não há tristeza que permaneça na mesma sala em que Jesus
estiver. Não há solidão que se sustente quando o Senhor se assenta à
mesa comigo. Não há choro que não acabe quando estou na companhia
daquele que sabe como enxugar lágrimas.
Quando leio algumas histórias da Bíblia vejo sempre um Deus enxugando lágrimas e acabando com todo tipo de tristeza. A
solidão de José durou vinte e poucos anos, mas terminou no reencontro
do amor. A tristeza profunda de Ana, humilhada e desprezada dentro de
sua própria casa, teve fim, após sua oração ao Deus que não rejeita o
coração compungido e contrito. Por isso, após a oração, “o seu semblante
já não era triste” (I Sm 1: 18).
Em minha
vida sou obrigado a conviver com a solidão algumas vezes... Com a
decepção outras tantas... Mas continuo consciente de que ao lado de
Jesus sou feliz. Todas as vezes que a tristeza tenta se aproximar de mim
e me vem cumprimentar, dou-lhe um drible e a deixo com a mão estendida
no ar. Apesar de sua insistência, também sempre gosto de deixar a
solidão falando sozinha.
Tenho problemas de
sobra (a maioria deles criada por outros e jogados sobre mim), mas vou
vivendo e relembrando a promessa do Senhor, de que um dia Ele haverá de
“enxugar toda a lágrima” (Apocalipse 21:4). Enquanto esse dia não chega,
eu me recordo das boas palavras de Paulo: “Alegrai-vos sempre no
Senhor; outra vez digo: alegra-vos” (Filipenses 4:4).
A
alegria, pra quem vive com Cristo, não tem fim. Agora, a tristeza...
Essa, sim, vai ter um fim, pois Aquele que nos ama promete que “ao
anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30:5b)
Notícia boa essa, não?
Fonte: samuelcostablog.blogspot.com
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